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Sofia vive no limite dos seus cartões de crédito. Quando o marido perde o emprego, a situação descontrola-se e é obrigada a mudar de vida.

Sofia, uma ilustradora freelancer, vive para a carreira, a família e o consumo. Para ela, comprar é sinónimo de prazer. Raramente resiste a uma novidade do mundo da moda. É verdade que, na sua profissão, a aparência também conta, mas não tanto como Sofia faz crer. Ela usa sempre o facto de trabalhar com imagens para comprar tudo o que lhe apetece. Hoje apaixonou-se por um vestido, mas quando entrega o cartão de crédito na loja, o cartão é recusado. Sofia não desanima. Abre a carteira onde tem sete cartões de crédito, escolhe outro e entrega-o para fazer o pagamento.

A caminho de casa recebe um telefonema da mãe, Aurora, que lhe pergunta se tem trabalho. Fica aborrecida com a habitual pergunta semanal, mas diz que sim e que agora não pode falar porque vai a conduzir. Apanha os filhos no colégio privado pouco depois. Rita, a filha mais velha, vem a falar da viagem de finalistas à neve. Tem de pagar a parte dela amanhã e comprar roupa adequada para o frio. André, o filho do meio, está agarrado ao telemóvel, a enviar sms à namorada que chegou ontem do Brasil. Beatriz, a filha mais nova, só fala das prendas que quer receber nos anos e o sítio onde vai fazer a festa. Sofia diz-lhes para terem calma, que não é altura de gastar dinheiro.

Nessa noite, jantam em família. Sofia encomendou uma refeição entregue ao domicílio, pois detesta cozinhar. Está a usar o vestido novo que comprou e a ver o IMI que se esqueceu de pagar.

Chega o marido, Afonso, e ela esconde a conta. Afonso pergunta-lhe onde é que arranjou a roupa nova. Ela diz que aproveitou uma promoção da loja. Ele pergunta se ela já pagou o IMI e ela mente, dizendo que sim. Afonso diz-lhe que é preciso terem cuidado com as despesas, que a situação económica já não é o que era e as coisas na empresa de engenharia civil onde ele trabalha não andam muito bem. Sofia pede-lhe para ficar descansado, pois é muito poupada e tem um trabalho grande para receber em breve, as ilustrações de um livro para crianças. Rita sai para ir ao cinema com as amigas.

Dias depois, Sofia trabalha ao telemóvel enquanto Rita prova as suas roupas de neve antigas, mas nada lhe serve. Sofia consegue impingir-lhe umas camisolas dela, mas vai ter mesmo de comprar umas botas novas e um casaco a Rita, porque o da mãe, segundo Rita, “não tem nada a ver!” André pede 150 euros para umas calças novas, mas a mãe diz-lhe para esquecer. Não há mais dinheiro para roupa este mês!

André e Rita discutem, por causa das despesas com as roupas de neve de Rita. André diz que não é justo a irmã gastar tanto dinheiro e ele não ter nenhum. Rita acusa o irmão de querer dinheiro para impressionar a namorada e diz-lhe que ele não a pode querer comprar. Ou ela gosta dele ou não gosta! A mãe manda-os calar quando percebe que Afonso chega à sala e se despede com a cara fechada e um ar de preocupação. “Não stressem o vosso pai que ele anda cheio de trabalho”, avisa. Enquanto brinca, Beatriz diz à sua boneca que é melhor esquecer o seu vestido novo.

Sofia vai às compras com Rita e acaba por gastar mais do que esperava, porque está tudo caríssimo. Fica um bocado stressada com as despesas extra e pensa um pouco antes de escolher o cartão de crédito com o qual vai pagar as compras. Rita percebe a hesitação da mãe e pergunta se há problemas de dinheiro, mas Sofia diz que são os habituais. “Sabes que nunca me pagam a tempo e horas, mas está tudo controlado. Eu sou a maga dos cartões de crédito!”, diz ela à filha com um sorriso.

Sofia vai pagar o IMI mas descobre que não tem dinheiro suficiente no banco. Percebe que foi descontada a conta do seu telemóvel e este mês gastou mais de 250 euros. Ela acha que o valor da conta só pode ser engano, mas depois percebe que foram feitas muitas chamadas para o Brasil do seu telemóvel… André confessa que estava cheio de saudades da namorada e usou o roaming da mãe para lhe ligar. Sofia fica passada e discute com o filho. “Como é que agora eu digo ao teu pai que não paguei o IMI por não ter dinheiro na conta?”.