Menu
logo
  • RTP_noite_de_paz_01
  • RTP_noite_de_paz_02
  • RTP_noite_de_paz_03
  • RTP_noite_de_paz_04
  • RTP_noite_de_paz_05
  • RTP_noite_de_paz_06

Luísa odeia o Natal. No hospital onde é médica oferece-se sempre para ficar 24 horas de serviço nas urgências entre os dias 24 e 25 de Dezembro. Quando tudo se prepara para ser mais um Natal amargo e solitário, um sem-abrigo é levado às urgências aparentemente com uma pneumonia, embora recuse tratamento. Quando Luísa intervém, acaba por reconhecer no sem-abrigo o seu próprio pai, com quem cortou relações há cerca de 10 anos.

Por trás do ódio que Luísa tem ao Natal está um trauma familiar nunca resolvido, e a razão para que Luísa se tenha afastado da sua terra e família.

Alberto, o pai de Luísa, foge da enfermaria depois de reconhecer a filha, demonstrando uma tendência suicida. Luísa fica transtornada por esta visita que lhe traz más recordações do passado, no entanto, não consegue ignorar o estado em que viu o pai, acabando por com a ajuda do enfermeiro PAULO, sair para a rua à procura do pai.

Quando encontra o pai e o convence a deixar-se tratar, regressam as questões do passado e a descoberta do que aconteceu na última década em que estiveram sem contacto.

Alberto deixou Margarida, a mãe de Luísa, na época de Natal há dez anos atrás, quando Luísa ainda estudava na universidade. Luísa era muito ligada a Alberto e tinha nos pais um exemplo e modelo perfeito de um casal feliz, que ela sonhava para si própria. A traição do pai com uma rapariga da idade de Luísa foi imperdoável para a filha. Mas em vez de ficar solidária com a mãe, Luísa acabou por entrar em conflito com ela, em parte culpando-a pelo acto irresponsável do pai. Sentido-se perdida em todas as suas convicções e valores, Luísa revolta-se contra a família e contra o seu irmão, Pedro, que tenta desculpar o pai, ao mesmo tempo que apoia a mãe.

Luísa acabou o curso e desligou-se da família, enquanto na sua vida amorosa passou a desacreditar no amor e a desconfiar dos homens, usando-os apenas nos seus próprios interesses e sem se envolver de forma romântica, dedicando-se à sua profissão, tornando-se uma excelente médica, mas mantendo o seu coração fechado a nível pessoal. Vive sozinha e, apesar do aparente pragmatismo de vida, é infeliz. No entanto, recusa aceitar algum interesse que o director das urgências, NUNO, lhe dedica, pois como parece ser o homem perfeito, ela evita-o. Contudo, começa a sentir uma proximidade pelo enfermeiro Paulo, que se revela uma pessoa genuína, dedicada a ajudar o próximo sem outros interesses nem à espera de recompensa neste mundo ou noutro. É pragmático e sem rodeios. Ao contrário de Nuno, que está sempre a tentar seduzir Luísa, Paulo relaciona-se com ela de forma natural, mostrando apenas como ele é, com os seus defeitos e virtudes, e essa honestidade agrada a Luísa.

Entretanto Luísa vai percebendo que o percurso do pai após aquele Natal de há 10 anos atrás foi de desgraça em desgraça. A mulher mais nova com que se envolveu acabou por o deixar depois de gastar quase todo o seu dinheiro. Desempregado, e sem aptidões competitivas no mercado de trabalho, acabou por perder tudo e, já sem subsídio de desemprego, mas incapaz de procurar ajuda na família, terminou nas ruas, sem-abrigo, a viver da caridade, mas cada vez mais procurando a morte. Alberto tomou consciência tarde demais do seu erro, e convencendo-se que perdeu para sempre a sua família, foi ele próprio evitando o contacto com o filho, acabando por desaparecer da vista de todos.

Luísa acaba por dar guarida ao pai na sua casa para recuperar da pneumonia e uma vez debaixo do mesmo tecto os conflitos vão progressivamente sendo resolvidos reaprendendo ambos a voltar a ser pai e filha.

O reaparecimento do pai obriga Luísa a confrontar de novo o seu passado e lidar com os temas da época natalícia: a família, a redenção, o perdão, a solidariedade e a felicidade. Os problemas do presente acabam por minimizar os do passado, e apesar do discurso constante de Luísa contra o Natal, o consumismo e alguma hipocrisia na sua celebração, vai acabar por perceber que o maior milagre do Natal é o perdão, e a melhor prenda é uma segunda oportunidade.

Progressivamente, enquanto resolve o seu conflito com o pai, Luísa e Paulo acabam por de forma muito natural se aproximarem e da amizade passarem a uma relação pragmática, mas apaixonada, mantendo ambos as suas personalidades independentes embora se completando. Juntos acabam por fazer uma acção de apoio aos sem-abrigo e por fim, Luísa irá regressar à sua terra, e levar o pai e Paulo a casa da mãe, na noite de Natal, onde se dá o reencontro da família e se fazem as pazes com o passado, celebrando verdadeiramente a noite de paz…