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Duas famílias afetadas pelo cyberbullying. Os sentimentos de vergonha, revolta e culpa dos intervenientes na história Vasc e Raquel , e ainda a dificuldade dos pais em perceber a realidade em que os filhos vivem.

Vasco e Raquel conhecem-se no primeiro dia de aulas do novo ano lectivo. Raquel é uma das novas alunas da turma, vem do ensino privado e é repetente; Vasco, o melhor aluno da turma que está junta desde o 5º ano. A separá-los há ainda a personalidade de cada um: a timidez de Vasco em contraste com o à vontade de Raquel, sempre empenhada em encontrar o seu espaço de líder entre os colegas. Os ambientes familiares também mostram diferenças: Vasco vive com a mãe e o irmão mais velho e, apesar dos conflitos pontuais, há um traço visível de união entre os três; enquanto Raquel é filha única e passa muito tempo sem ver os pais obcecados com a vida profissional.

O que põe estas duas personalidades tão opostas em ligação é a inesperada paixão de Vasco por Raquel. Impulsionado por um novo e arrebatador sentimento, ele tenta aproximar-se dela de diferentes (e, por vezes, atabalhoadas maneiras), mas Raquel dedica-lhe pouca atenção. Vasco pede conselhos ao irmão e torna-se insistente, até que Raquel, depois de se fazer passar despercebida, perde a paciência e aproveita-se da situação para reforçar o seu espírito de líder irreverente e mordaz junto de alguns colegas. Em vez de falar directamente com o seu pretendente, ela planeia uma brincadeira anónima e de mau gosto para atingi-lo: numa rede social da Internet, goza com a sua imagem física e ridiculariza o facto de ele ser o melhor aluno da turma.

Ao tomar contacto com o ataque virtual, Vasco sente-se diminuído e fica profundamente afectado, mas está longe de imaginar a autoria de tais injúrias. Numa primeira fase, ainda tenta ignorar a humilhação, mas Raquel e outros dois colegas entusiasmam-se e desenvolvem consecutivas formas de rebaixamento e pressão (sempre anónimas) que acabam por se transformar num demorado e feroz processo de cyberbullying. Às mensagens pejorativas na rede social, seguem-se mensagens para o seu telemóvel, montagens de fotos, armadilhas cibernéticas, chantagens, chegando ao ponto de se apoderarem da sua senha de acesso à rede social e de mandarem mensagens obscenas contra alunos e professores da escola, como se fosse Vasco o responsável.

Perante este cenário, Vasco isola-se progressivamente, perde auto-estima, desorienta-se, e embora vá deixando algumas pistas soltas em casa sobre o que está a viver e sentir, o irmão e a mãe não percebem o “filme de terror” em que está metido. Decide, então, pôr mãos à obra e tentar descobrir o autor daquela farsa, chegando para seu espanto ao nome de Raquel. Chocado e perdido, acaba por fugir para local incerto, chamando definitivamente a atenção da família. Assim, só depois de ser encontrado é que Vasco conta tudo à mãe e ao irmão, mas diz desconhecer os responsáveis pelas agressões (por temer ser ainda mais ridicularizado).

Revoltada, Sofia tenta apurar responsabilidades. A polícia é chamada a intervir, assim como a direcção da escola. O caso chega aos media que passam a acompanhar a situação diariamente. O vazio legal vem ao de cima e o debate sobre esta nova forma de bulling faz-se em todo o lado. Enquanto isso, Raquel mantém o anonimato, beneficiando do facto de Vasco não a ter denunciado, mas quando a investigação policial aperta o cerco, ela atira as culpas para os dois colegas que tinha manietado nas práticas de cyberbulling. Como resultado desta denúncia cobarde, Raquel sofre terríveis consequências: ela própria começa a ser vítima de cyberbulling e, um dia, acaba por ser espancada por outros alunos.

Por diferentes razões, Vasco e Raquel deixam, então, de frequentar temporariamente a escola: Vasco, sem condições psicológicas para os estudos; Raquel a recuperar fisicamente do espancamento. É neste contexto que vemos as duas famílias a entrarem em contacto uma com a outra e percebemos como reagem de forma distinta perante o fenómeno: a família de Vasco com uma atitude de acompanhamento constante para com ele e de busca incessante às questões do cyberbulling; a de Raquel tentando esquecer rapidamente o problema.

Desamparada e humilhada, Raquel decide então pôr termo à vida num acto de desespero. Mas acaba por ser salva in extremis pela pessoa mais improvável de um acto de bondade em relação a ela: Vasco.