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Francisco revisita as suas memórias numa consulta com uma psicóloga e conta como foi a sua vida enquanto participante ativo do bando de Diana, o bando mais violento da cidade de Lisboa.

Diana decidiu que não valia a pena continuar a estudar depois da vida lhe ter sido madrasta. Primeiro pela morte do pai, Manuel, que fora despedido da empresa onde trabalhara toda a vida. Diana era a menina dos seus olhos. Ainda tentou arranjar novo ofício mas a crise devorava empregos e, onde perguntava, respondiam-lhe que estava velho. Aos 45 anos, o senhor Manuel, convenceu-se que estava acabado e sem forma de arranjar sustento para os seus, entrando numa profunda depressão. Um dia, Diana chegou da escola e teve um choque, viu o seu sinistramente enforcado num dos quartos da casa. Diana aguentou o embate, ajudando a mãe doente e bebendo as lágrimas da ausência e da saudade do pai. Mas a morte do marido acelerara a doença da mãe de Diana e numa noite de grande sofrimento, veio a ambulância e levou-a para o hospital. Regressou no dia seguinte. Haviam-lhe tirado as dores nos ossos e mandado para casa pois os tratamentos eram caros e a reforma dela não dava para comer, quanto mais para ter atenção médica. E nessa mesma noite, a mãe partiu para sempre. Em apenas um mês, Diana ficou órfã. Não chorou, nem se se lamentou. Uma estranha fúria tomou conta de si e da sua desgraça. E dias depois entrou no bando de Bifanas, o maior bandido do bairro. Estava assustada e Bifanas acalmou-a. Enquanto o seu grupo pudesse, Diana podia contar com eles.
O seu lugar-tenente, Batman, resistiu. Já tinham uma rapariga no grupo – a Nicha, e não precisavam de mais miúdas. Mas a verdade é que o Bifanas tinha uma pistola. E quem está armado é quem manda por isso Batman aceitou Diana no grupo. Roubavam em supermercados e comboios. Nas praias e em centros comerciais. Roubavam por esticão, por descuido, por arrombamento. Bifanas controlava a venda de droga no bairro e assumia a sua autoridade à força de murro e de tiros. Mas que se soubesse, nunca matara ninguém. Um dia, Diana decidiu mudar de vida. Roubou a pistola a Bifanas e matou-o depois de o humilhar. Perante a crueldade do assassinato, Batman rendeu-se com medo dela. Jurou-lhe fidelidade eterna e o grupo juntou-se a ela. A vida encarregou-se de fazer de Diana a rainha da cidade.

Vinte e cinco anos depois…
Diana assumiu desde menina uma decisão firme. Nunca abandonar a casa que os pais haviam comprado com tanto esforço. Por fora, continuava a ser a mesma moradia. Lá dentro estava entesourado o produto de muitos anos de trabalho. Diana tornou se numa mulher sofisticada quando contacta com gente dos negócios, da banca e da política, e a ladra mais audaciosa, capitaneando as mais audazes operações contra os poderosos, que muitas vezes a cortejam e tentam seduzir. Não se tornou apenas numa mulher poderosa. No Bairro da Estrela Polar, e um pouco por toda a cidade, é conhecido o seu altruísmo para com os aflitos. Ajuda os mais necessitados. Compra-lhes remédios e dá-lhes de comer.

Diana tem uma vingança por realizar. Jurou que haveria de acabar com os homens que destruíram a vida do seu pai. Aprendeu a utilizar o computador com perícia, fez de Batman o seu motorista e homem de confiança, e entende que chegou a hora de vingar a morte do pai.

Ao longo da vida cometeu um único erro. Apaixonou-se uma vez e ia acabando na prisão. Afastou-se do amante e ficou com o filho Manuel, assim batizado em homenagem ao pai. Nicha deixou de participar nos assaltos e tornou-se a ama do pequeno Manuel e governanta da casa de Diana.

Ao longo dos anos e com a triunfante vaga de assaltos por si comandada, Diana conquistou um inimigo de peso. O Inspetor-Chefe Augusto que acredita ser ela a mentora dos piores crimes da cidade. Porém, cada uma das suas investigações esbarram contra muitas paredes de silêncio. Conhecem-se. Por várias vezes, ele foi buscá-la e interrogá-la. Mas faltam sempre provas. Mesmo em circunstâncias em que se dá por adquirido que ela vai ser presa, salva-se no último minuto. Dona de uma inteligência invulgar e de uma enorme mão justiceira, Diana escapa constantemente às armadilhas que Augusto lhe vai pondo no caminho. Até que se deixa vencer, seduzido por ela. Augusto vê a sua vida de polícia a ser destruída paulatinamente. Por fim, está a beira da expulsão e passa o testemunho ao Inspetor Ravara, o homem que o formou, que conhece a retidão de carácter e a frieza como polícia, que ele não teve. Ravara é a outra face da Polícia. Mais calculista e menos lúdico. Mais frio e menos violento. Diana percebe que perdeu com a troca. Mas desafia-o e resiste.
O bairro está por sua conta. É o reduto inexpugnável que a protege, mas também o verdadeiro mercado de onde fornece produtos proibidos para as atividades criminosas de outros bandos. Negoceia em droga, lavagem de dinheiro, armas, quadros, joias e tabaco. Lidera os principais assaltos a bancos, ourivesarias, caixas multibanco e escritórios de grandes empresas. De arma em punho, abre caminho a tiro e ao murro, com golpes de audácia que deixam Ravara perplexo. O inspetor reconhece que está perante o maior desafio da sua vida. Jura a si próprio que não deixará Diana em paz enquanto não a mandar para os calabouços… ou para a morgue.

Entretanto Diana vai repondo a justiça que não fizeram ao pai. Tem como objetivo destruir a vida de cada um dos administradores da empresa que ‘matou’ o pai. Inicia um jogo de ciladas e de seduções. Cria estratagemas e submete-os à chantagem e ao medo, deixando-os no desemprego e sem esperança, tal como fizeram com o seu pai.
Ao mesmo tempo, Diana sustenta lares e creches. Muitas vezes com dinheiro saído da chantagem contra os seus inimigos.
Rainha da cidade, benemérita dos pobres, vingadora das memórias mais sofridas, distribuidora de afetos, a grande operacional do crime desdobra-se em mil atividades. Qual será o final de Diana?